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Nervosa: o que a banda tem a ver com o momento político do Brasil?


O que uma banda de metal tem a nos mostrar, sobre o momento político e cultural que o país atravessa, em meio a uma crise sanitária global? Por que essa banda tem de ser, justamente a Nervosa?

Vamos começar pela quase dissolução total da banda que, já há algum tempo, vem se tornando um nome quase certo, no lineup de vários festivais ao redor do mundo. No último Rock In Rio, em setembro de 2019, por exemplo, a Nervosa fez um dos shows mais empolgantes entre todas as bandas que se apresentaram, no dia dos shows mais pesados do festival. Isso sem citar os três álbuns lançados, "Victim Of Yourself" (2014), "Agony" (2016) e "Downfall Of Mankind" (2018), com boa recepção da crítica e do público e, os vários shows com grandes nomes do cenário metal, nos últimos anos.

Mas, por que uma banda que está em pleno vôo e, com os ventos soprando a seu favor, simplesmente implode? Foi o que aconteceu com a Nervosa, no último sábado, em que duas das três integrantes, anunciaram suas saídas da banda. As três meninas individualmente, publicaram textos nas redes sociais, em que informam sobre as saídas de Fernanda Lira (vocal e baixo) e Luana Dametto (bateria), deixando como integrante oficial da Nervosa, apenas a fundadora, a guitarrista Prika Amaral. Até aí, já vimos inúmeras vezes, situações em que bandas simplesmente se acabam, de uma hora para outra, sem mais nem menos.

De acordo com Prika Amaral "as coisas já não vinham bem há algum tempo, não havia mais a mesma chama no palco". Claro que, não são apenas fatores internos que influenciaram nessa debandada quase geral, das meninas mais nervosas da música brasileira na atualidade. A isso, somam-se vários casos de manifestações imbecis, de todo tipo de gente retrógrada, que insiste em manter a mente o mais medieval possível. 

Mas, o que há de diferente no caso da Nervosa? O grande diferencial que fica evidente, são as manifestações e comentários referentes às saídas das duas integrantes da banda e as várias situações que, elas já enfrentaram, no decorrer dos últimos anos, dentro daquilo que um dia já foi chamado de "cena metal". 

Desde o início, as meninas da Nervosa são vítimas de todo tipo de comentário machista, sexista e que revelam apenas um grande poço de inveja, de quem gostaria de estar no palco fazendo um som poderoso, mas, o fracasso pessoal só permite que esse tipo de gente consiga produzir chorume intelectual. Até aqui, o trio brasileiro conseguiu lidar com isso, usando um sábio "deixa pra lá", mas, infelizmente chegou o momento em que não foi mais possível segurar e, a relação já não teve como ser mantida.

É possível que esse fato, seja um reflexo de toda a situação política pela qual o Brasil vem atravessando, com uma sociedade cada vez mais dividida e com um crescente número de adeptos de uma ignorância generalizada, em diferentes âmbitos da sociedade, que não se restringe apenas ao plano político, propriamente dito, mas, que já tem seus efeitos muito perceptíveis, inclusive dentro do meio artístico. Basta uma pequena olhada em comentários de um grupo qualquer no Facebook, por exemplo, para que se perceba várias manifestações de conservadorismo entre o público roqueiro.

Também é possível perceber essas manifestações ganhando força, em cada esquina em que haja alguém, disposto a vociferar preconceitos e todo tipo de aberração moral, em um país que deu voz, justamente àqueles que estavam escondidos e somente após o advento do atual governo de extrema-direita é que esses elementos sentem-se encorajados a expor tudo aquilo que pensávamos (equivocadamente), termos superado.

É com um grande sentimento de vergonha de ser metal, que este texto é publicado, já que foi justamente através do rock e do metal que aprendi a contestar as injustiças e tudo aquilo que considerava e ainda considero ser ruim. Foi com a vontade de possibilitar um mundo onde, os que historicamente sempre foram excluídos, pudessem participar e produzir, para o bem de todos, que me liguei ao rock e ao metal, que sempre foram uma grande paixão.

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